O Que Motivou a Mudança?
O município de Juazeiro do Norte, localizado no estado do Ceará, apresentou um cenário preocupante no que diz respeito ao Censo Escolar, com um alarmante percentual de 61,3% de crianças não declaradas em 2021. Essa situação motivou a Prefeitura e a Secretaria de Educação a implementar ações urgentes e eficazes para reverter esse quadro. A falta de declarações atingia várias áreas, incluindo a saúde, a assistência social e o planejamento escolar, refletindo a necessidade de políticas públicas que garantissem não apenas a matrícula, mas a permanência e a valorização da experiência educacional de todas as crianças.
Diante dessa realidade, intervenções estruturais e sociais foram desenhadas e aplicadas. A criação do Protocolo de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo e à LGBTfobia, por exemplo, foi uma resposta direta à urgência de promover uma educação inclusiva e digna. O objetivo principal era encorajar a autodeclaração étnico-racial de todos os estudantes, garantindo assim que cada criança tivesse seu lugar reconhecido e valorizado dentro da rede escolar.
Ações da Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte se mobilizou de forma exemplar, promovendo campanhas de sensibilização nas comunidades e nas próprias escolas. Essas campanhas tinham como propósito informar pais e responsáveis sobre a importância da declaração no Censo Escolar. A secretaria também buscou conscientizar sobre os direitos das crianças e a relevância de sua presença efetiva nas instituições de ensino, não apenas para a contagem, mas para o desenvolvimento educacional da comunidade como um todo.

Além disso, foram realizadas reuniões com educadores e diretores de escolas, promovendo treinamentos sobre como abordar e acolher os estudantes em suas identidades diversas. A formação continuada dos professores foi priorizada, visando à criação de um ambiente escolar mais receptivo e inclusivo. Essas ações ajudaram a construir um espaço no qual os alunos se sentissem seguros e respeitados, o que é fundamental para o fortalecimento do vínculo escolar.
Importância da Autodeclaração
A autodeclaração étnico-racial se mostra essencial não apenas para a contagem de crianças no Censo Escolar, mas também para o reconhecimento da identidade de cada aluno. Esse processo permite que as escolas implementem políticas de inclusão, valorizem a diversidade e promovam um ambiente educacional mais justo e igualitário. Quando uma criança se autodeclara, ela não está apenas preenchendo um formulário, mas também afirmando sua identidade e sua cultura.
Promover a autodeclaração é um passo crucial para desencadear discussões sobre racismo, discriminação e respeito à diversidade nas escolas. Essas conversas são vitais para a formação de cidadãos mais conscientes e empáticos. A prática da autodeclaração é um sinal claro de que os alunos são valorizados não apenas por suas habilidades acadêmicas, mas também por quem são em sua essência.
Como o Protocolo de Prevenção Funciona
O Protocolo de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo e à LGBTfobia é um documento que orienta as escolas sobre como agir diante de atos de discriminação. Ele traz diretrizes claras que norteiam o comportamento dos educadores e administradores escolares em situações de preconceito. O protocolo foi desenvolvido com a participação da comunidade escolar, educadores e profissionais de diversas áreas, garantindo que suas diretrizes fossem adequadas à realidade local.
Uma das principais diretrizes do protocolo é a oferta de acolhimento e suporte às vítimas de discriminação, sejam elas crianças, adolescentes ou até mesmo educadores. Além disso, o documento incentiva a responsabilização dos agressores, promovendo um ambiente escolar seguro e respeitoso. Ao colocar em prática essas diretrizes, as escolas não só combatem a discriminação, mas também ensinam valores de respeito e empatia, fundamentais para a formação de um caráter ético nos alunos.
Divulgação e Formação nas Escolas
A eficácia das ações da Prefeitura de Juazeiro do Norte também está ligada à forma como a proposta foi divulgada e percebida nas escolas. O vídeo institucional sobre a importância da autodeclaração, que foi apresentado nas escolas, teve um papel central na aprendizagem sobre identidade, pertencimento e enfrentamento da discriminação. Esse material conseguiu atrair a atenção dos estudantes, despertando o desejo de participar das discussões sobre suas identidades.
As rodas de conversa foram uma estratégia utilizada para fomentar o diálogo entre alunos e professores, permitindo um intercâmbio de experiências e sentimentos sobre questões de raça e sexualidade. Tais encontros não só contribuíram para aumentar a participação dos alunos no Censo Escolar, mas também para construir um discurso educativo mais inclusivo e respeitoso.
Resultado das Iniciativas
Os resultados das iniciativas implementadas em Juazeiro do Norte são notáveis. O número de crianças não declaradas no Censo Escolar caiu de 61,3% em 2021 para apenas 2,6% em 2025. Essa drástica redução é um testemunho do impacto das políticas educacionais e da efetividade das ações voltadas para a inclusão e reconhecimento das identidades étnico-raciais.
Mais do que apenas números, essa queda representa o reconhecimento de cada criança dentro da sociedade e a valorização de suas identidades. A maioria das escolas estão agora mais preparadas e dispostas a discutir e a trabalhar com a diversidade, criando um espaço onde todos podem se sentir acolhidos e respeitados.
Impactos na Identidade Étnico-Racial
O impacto das ações em Juazeiro do Norte vai além da mera redução de alunos não declarados. Com a valorização das identidades étnicas, as escolas estão promovendo um ambiente onde a diversidade é celebrada e a cultura local é respeitada. Isso é fundamental para um desenvolvimento saudável da autoestima e do senso de pertencimento dos alunos.
Os estudantes são incentivados a explorar e apresentar suas culturas ancestrais, criando um espaço de trocas culturais que enriquece não apenas as identidades individuais, mas também o ambiente escolar como um todo. Esses impactos caminham lado a lado com a formação de uma sociedade mais justa e equitativa, onde todos têm seu lugar garantido.
O Papel da Comissão ERER
A Comissão de Educação para Relações Étnico-Raciais (ERER) desempenha um papel vital nesse processo de transformação. Essa comissão não apenas planeja e executa iniciativas voltadas para o combate ao racismo e à discriminação, mas também faz a ponte entre a comunidade e a política pública. Por meio de formações, rodas de conversa e eventos que envolvem toda a comunidade escolar, a comissão busca conscientizar sobre a importância da diversidade.
O trabalho da Comissão ERER é fundamental para garantir que questões étnico-raciais sejam abordadas de uma maneira que envolve não apenas os alunos, mas também suas famílias e a própria comunidade. Os resultados têm mostrado que essa abordagem mais ampla é capaz de construir uma rede de apoio e solidariedade em torno do tema, um aspecto crucial para promover mudanças duradouras.
Atividades Educativas e Envolvimento da Comunidade
As atividades educativas, como workshops, seminários e apresentações culturais, têm sido essenciais para promover o envolvimento da comunidade no processo de inclusão. Cada atividade é uma oportunidade de reunir alunos, professores, pais e membros da comunidade em torno de pautas que buscam fortalecer a luta contra a discriminação e promover a autonomia dos estudantes.
As reuniões e oficinas promovidas pela Comissão ERER visam a educação contínua, e o impacto dessas ações tem se mostrado profundo. As famílias são convidadas a participar do diálogo sobre as identidades de seus filhos, promovendo um espaço em que todos possam aprender e compartilhar suas experiências. Essa participação ativa da comunidade é uma das chaves para o sucesso das políticas públicas voltadas para a inclusão.
O Caminho a Seguir para a Inclusão
Embora os resultados obtidos até agora sejam impressionantes, é essencial que Juazeiro do Norte continue avançando. O caminho para a inclusão não tem fim, e novos desafios sempre surgirão. A manutenção do diálogo entre a comunidade e as escolas é fundamental para garantir que as práticas inclusivas sejam efetivas e respeitadas em longo prazo.
Estabelecer parcerias com organizações da sociedade civil, universidades e especialistas tem o potencial de enriquecer as ações existentes e trazer novas perspectivas ao combate à discriminação. O engajamento contínuo de estudantes, educadores e familiares será crucial para promover um ambiente que valorize e respeite as diversas identidades étnico-raciais presentes na cidade.
Portanto, Juazeiro do Norte está no caminho certo ao implementar práticas que não apenas transformam a realidade educacional, mas também refletem um compromisso com a justiça social e com a igualdade de direitos para todos os cidadãos. As ações empreendidas podem ser um modelo e inspiração para outros municípios do Brasil, que buscam promover a inclusão e a igualdade racial em seus territórios.


